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Notícias
06/04/2010
Italiana Radici leva nova fibra acrílica para os EUA
Química: Italiana Radici leva nova fibra acrílica para os EUA

A unidade brasileira do grupo italiano Radici Fibras, única produtora de fibras acrílicas no Brasil e a terceira de nylon no país, acaba de lançar no mercado americano um novo tipo de fibra acrílica para evitar fissuras em concreto e cimento. Conhecida pela denominação técnica "Anti-Crack", a nova fibra utiliza a mesma base da Raditeck RF, que também é produzida pela empresa e substitui o amianto na produção de peças de fibrocimento, como telhas, caixas d'água e paredes pré-fabricadas. A empresa investiu R$ 7 milhões para adaptar uma de suas quatro linhas à produção de fibra acrílica para a indústria têxtil e para aplicações industriais. O desenvolvimento, de acordo com o diretor Industrial da Radici Fibras, Alessandro Milholo Coelho, contou com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que destinou R$ 1,2 milhão para o projeto.
O investimento capacitou a empresa para uma produção de 10 mil toneladas por ano de fibras acrílicas para aplicações industriais. "Em 2010, a produção de fibra acrílica para a substituição do amianto deve ficar entre 600 e 800 toneladas", disse. Segundo Coelho, atualmente existem 12 produtores de fibrocimento no Brasil, sendo que um deles já utiliza 100% da fibra Raditeck RF como alternativa ao amianto e outros quatro estão fazendo testes com o produto. A fibra "Anti-Crack" foi desenvolvida em 2009 e lançada, oficialmente, na maior feira de concreto do mundo, a World of Concrete, que neste ano aconteceu em Las Vegas, nos EUA, em fevereiro. Segundo Coelho, a empresa já recebeu consultas de testes e informações de mais de 250 empresas, de 30 países diferentes. "A fibra também está sendo testada industrialmente por empresas de 11 países, para os quais enviamos amostras do produto". A expectativa da Radici, segundo o diretor, é que a nova fibra comece a ser exportada a partir do próximo mês. No mercado brasileiro, o produto será lançado em agosto deste ano, durante a Concrete Show, em São Paulo."Apesar de os produtos ainda não terem sido oficialmente lançados, eles já foram colocados à venda e estão sendo testados no Rio Grande do Sul e utilizados em obras nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro", disse o diretor. A Radici planeja produzir de 100 a 150 toneladas mensais da fibra "Anti-Crack" e pelo menos 70% do volume será exportado."O mercado americano ainda continua sendo o maior do mundo para esse tipo de fibra, que agrega mais valor e custo ao produto final. No Brasil, ainda está no início de sua evolução e utiliza outras fibras sintéticas, principalmente o polipropileno". Além dos EUA, vários outros países já adotaram o uso de aditivos para evitar fissuras em concreto. "A grande vantagem da fibra acrílica é que ela possui carga elétrica que aumenta sua adesão à matriz de cimento ou concreto, enquanto que nas fibras sintéticas fundíveis, essa adesão é bastante baixa". Ainda este ano, a Radici pretende concluir o desenvolvimento de uma fibra acrílica oxidada (Raditeck OX), que não pega fogo e pode ser usada em roupas de segurança, painéis de carro e pastilhas de freio. O projeto tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e conta com a colaboração de pesquisadores do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). O mercado brasileiro, segundo Coelho, importa hoje 100% desse tipo de fibra e consome cerca de 50 toneladas por ano de fibras oxidadas - o mesmo volume entra no país na forma de fios e de feltros. "Já temos consultas de consumidores nacionais, que garantem a compra de toda a produção prevista para o Brasil". O início da produção da Raditeck OX está programado para o segundo semestre. A Marinha brasileira, segundo Coelho, está desenvolvendo uma fibra de carbono nacional e a Radici participa do projeto, com o desenvolvimento de uma fibra acrílica especial que será usada na fabricação do novo produto. Com sede em Bérgamo, o grupo Radici possui 40 fábricas e atua nas áreas química, de plásticos e fibras e têxteis. Está no Brasil desde 1997, com as unidades Radici Fibras, em São José dos Campos, e Radici Plastics, em Araçariguama. Produz 34 mil toneladas anuais de fibras acrílicas e 7,5 mil toneladas por ano de filamentos de nylon. Em 2009, faturou US$ 90 milhões no país, onde emprega 400 empregados.  

Fonte: Valor On Line
 





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