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Repassamos abaixo, notícia veiculada pelo jornal DCI no tocante aos efeitos gerados pela greve dos produtores rurais.
A greve dos produtores rurais na Argentina completa hoje 15 dias e começou a afetar duramente o fluxo de comércio entre empresas brasileiras - indústrias e atacadistas - e o país vizinho nesta semana. Entre os setores exportadores possivelmente já prejudicados, foram apontados os fabricantes de alimentos acabados (entre eles, leite em pó e chocolates), pneus, eletrodomésticos e o automotivo.
Segundo fontes do mercado, a Nestlé poderia estar entre as companhias com operações no Brasil que sofrem algum tipo de reflexo, já que a Argentina não produz cacau e importa o que consome.
Do outro lado, o das importações, os brasileiros que importam óleo de canola, rações e produtos químicos para as lavouras também sofrem conseqüências negativas.
Desde a segunda-feira, cerca de 30% da frota de caminhões pertencentes a mil empresas transportadoras brasileiras está parada - seja no país vizinho ou no Brasil -, esperando que a greve, que gera boicotes ao transporte de produtos nas estradas, se resolva. As manifestações já atingem parte das estradas que levam do Rio Grande do Sul às cidades de Buenos Aires e Rosário, no país vizinho.
"Um cliente atacadista me ligou preocupado, pois não há cobertura de seguro para cargas em caso de greves. Estamos deixando as carretas paradas", contou ontem Ademir Pozzani, vice-presidente de Relações Internacionais da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC & Logística).
Pozzani lembrou, ainda, que a Argentina é um dos maiores compradores de produtos acabados brasileiros. Além disso, há muitas multinacionais que possuem operações nos dois países e praticam operações inter companies - como ocorre no setor automotivo, por exemplo. "Há montadoras que têm planta na Argentina mas importam peças do Brasil para finalizar a fabricação lá", explica.
No entanto, apesar do cenário negativo, pode haver lado bom para alguns brasileiros. Farias Toígo, gerente da Capital Corretora (atua no sul do Brasil) acrescentou que se a greve durar mais algumas semanas, o país poderá se beneficiar exportando grãos para clientes dos argentinos, como China e Índia. Os produtores de soja e milho seriam os mais beneficiados.
Ao que tudo indica, a situação deve perdurar. Ontem os produtores rurais mantiveram seus protestos nas ruas e estradas. O governo argentino não mostrou sinais de que vá flexibilizar o diálogo. A situação de abastecimento de alimentos se agrava no país, dizia o jornal
La Nación
, até o fechamento desta edição.
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